terça-feira, 6 de outubro de 2009

Neuropsicologia

A neuropsicologia é uma interface ou aplicação da psicologia e da neurologia, que estuda as relações entre o cérebro e o comportamento animal, contudo praticamente dedica-se a investigar como diferentes lesões causam déficits em diversas áreas da cognição humana ou tal como denominado pelos primeiros estudos nesse campo estuda as funções mentais superiores, deixando áreas como agressividade, sexualidade para abordagens mais integrativas da fisiologia e biologia (neurobiologia, neurofisiologia, psicofisiologia, psicobiologia) ou melhor da neurociência. Entre as principais contribuições desse ramo do conhecimento estão os resultados de pesquisas científicas para elaborar intervenções em casos de lesão cerebral quando se verifica o comprometimento da cognição e de alguns aspectos do comportamento.

PALAVRAS CHAVES:
Funções Mentais Superiores
Neuropsicologia
Tópicos
Regiões do cérebro
Neurociência cognitiva
Cérebro humano
Neuroanatomia
Neurofisiologia
Frenologia
Misconceptions
Funções cerebrais
Arousal
Atenção
Consciência
Tomada de decisão
Funções executivas
Linguagem natural
Aprendizagem
Memória
Coordenação motora
Percepção sensorial
Planejamento
Resolução de problemas
Pensamento

A Neuropsicologia é uma expressão utilizada pelo fisiologista russo, Ivan Pavlov, no começo do século para designar funções do córtex especialmente linguagem e atividade lógica racional da espécie humana. Com o avanço da Neurofisiologia aos pouco veio se descobrindo que muitas das funções requeridas para a actividade racional não dependia exclusivamente desta região e sim do funcionamento do cérebro compreendido como um todo, não podendo, portanto limitar-se à ação específica e localizada de alguns conjuntos de células como retina e alguns neurônios do córtex visual próprios para percepção da luz.

Alexander Luria, um importante neurofisiologista da Universidade de Moscou dando continuidade ao trabalho de Pavlov a luz das novas descobertas identifica três sistemas ou unidades funcionais:

*Unidade para regular o sono e vigília
*Unidade obter processar e armazenar informações
*Unidade para programar regular e verificar a atividade mental

A grosso modo, algumas localizações e funções parecem estar contidas nesses distintos subconjuntos os diversos estados fásicos que caracterizam o coma, o sono e a consciência humana; Os mecanismos da atenção e memória onde destacam-se as funções do sistema reticular ativador e hipocampo e finalmente o próprio córtex frontal, sensorial e “engines” responsáveis Inteligências Múltiplas

Exame neuropsicológico
Avaliar, indentificar e detectar:

1- Integridade das funções nervosas superiores (mentais) Atenção, Mémória, Linguagem e Cognição.
Atenção
Sistema reticular ativador - tronco cerebral - consciência (vigília)
Unidade para regular o sono e a vigília e os estados mentais - Luria Identifica um gradiente entre dispersão e concentração. Testa-se a atenção concentrada (permanência – capacidade/hábito); Numa abordagem mais extensa examina-se a capacidade de uso consciente dos sub-conjuntos da atenção: sonhos programados; sonhos lúcidos; experiências religiosas/ estados fásicos obtidos por técnicas de meditação e uso de enterógenos.

Consciência
Critérios eletroencefalográficos sono - vigília o que corresponde aos estados hipnóticos (Fásicos):

Sono com sonhos (REM)- Rapid Eyes Movement
Sono profundo (NREM) Non-rapid Eyes Movement
ou a Escala Glasgow (abertura dos olhos;respostas motora e verbal) Estupor - obnubilação

Coma Leve
Coma Moderado
Coma Profundo
Critérios clínico-eletroencefalográficos p/ manutenção artificial da vida Vida vegetativa Estado isoelétrico

Memória
Alterada em danos do Hipocampo identidicar: formação novas memórias - amnésia anterógrada Lobo temporal recuperação "memórias" existentes- amnésia retrógada Distingue-se ainda: curto prazo – imediata longo prazo memória visual (facial) - verbal memória episódica e semântica

Linguagem

Alterações do Hemisfério Esquerdo'
No hemisfério esquerdo situa-se as zonas da linguagem 90% dos casos) Lobos Temporal - Parietal (sensorial)

Para Luria a Unidade de receber analisar e armazenar informações (córtex ocipital, auditivo e linguagem.

Na criança avaliar relação: Linguagem - Pensamento

Fases da aquisição:

1 ano - choro diferenciado,
2 anos - balbucio, frases 1 palavra;
3 - 4 anos - palavras combinadas, conceitos básicos
5 - anos extensão do vocabulário;domínio dos sons da fala
7 anos - inclusão em classes operações concretas; desenvolvimento das noções
de tempo; acaso; moral, identidade racial
12 anos - desenvolvimento da lógica formal e pensamento abstrato
Avalia-se ainda como critério de integridade funcional e inteligência: coerência uso de regras gramaticais, sintaxe, concordância, pronomes, representações do sujeito, orientação em tempo espaço coerência biográfica com responsabilidade social. Fluência extensão verbal Integridade das estruturas lógico gramaticais (grau de alfabetização/ capacidades básicas) "conhecimento" - extensão do vocabulário

Alterações psicopatológicas e neuro sensoriais: logorréia / mutismo; deficits de compreensão verbal - decodificação da fala (autismo; Foco temporal EEG) Deficites de compreensão escrita - compatíveis com grau de alfabetização - uso gramatical - aprendizagem de idiomas, linguagem de sinais

Alterações semânticas tipo psicóticas – conteúdo de delírio); incapacidades p/ uso de metáforas ; mussitação - fala sussurrada e sons; cantos; estereotipias; verbigeração; afonias.

Alterações sintáticas (afasia de compreensão – Afasia de Wernike/ demências); incapacidade p/ uso de conceitos básicos = deficiência mental (sem aquisição) incapacidade p/ uso de conceitos concreto/abstratos & amnésia = demências (perda) lapsos repetidos - tics; coprolalia (deficiência mental e demências) repetição anormal (resistente à lógica) = distingue-se de Distúrbios Obsessivo Compulsivos e perversões por relação de contexto e assocação com outros sintomas

Fala: Identificam-se alterações processo de aquisição, no autismo (ritmos de canto - sons longos substituem o balbucio; início aos 12 anos) atraso (de 2, 3 anos na deficiência mental moderada), a língua hipotônica, frequente na Síndrome de Down concorre com alterações de fala. Distúrbios específicos da fala como dislalia; ecolalia, tartamudez (gagueira) galicismo, inversão/troca fonemas; afonia; estão relacionados sobretudo com ansiedade e distúbio de conduta / socialização. A perda do ritmo da fala é sinal preditor de ataque AVC e outros danos cerebrais. Afasias de expressão; disartrias são sequelas comuns a lesão parietal - pré - frontal (Zona de Broca)

Falar envolve uma coordenação altamente complexa e hábil de processar e requerimentos do banco de dados armazenados na memória. Oradores têm que planejar o que dizer e temporariamente armazenar os planos prontos até os executar como palavras, frases, e orações. A qualquer imediato, os indivíduos podem estar planejando o que dizer logo enquanto executando o que foi planejado momentos mais cedo simultaneamente. Daneman (1991) assinala que a capacidade de funcionamento da memória é uma fonte importante de diferenças individuais em fluência verbal. Ela descobriu que uma medida construída para quantificar o processo e armazenamento funciona da memória durante a execução de uma oração (SSP - Speaking Span Test, Teste de Extensão da fala) correlatou estas com medidas de fluência verbal (por exemplo, número de palavras faladas por minuto).

Alterações acima diagnosticam:

Afasias: afasia amnésica - evocação; afasia temporal completa;
Afasia temporo - occipital (zona de Wernike) - leitura, compreensão sintática; Afasia temporo - parietal decodificação auditiva;

Anosognomia - desintegração semântica (afetivo)
Demência abúlica
Dislexia - Alterações do campo visual (Lobos Temporo ocipital)
Psicoses
Deficiência mental

Alterações do Hemisfério direito
Lobos Parietal - Temporal - Ocipital Coordenação viso – motora Destreza visual motora - rapidez exatidão da atenção visual percepção espaço temporal - localização visualização espacial ritmo / força * - inteligência corporal cinestésica

excluindo danos das apraxias, hemiplegias, paresias (parestesias)
Percepção / organização musical discriminação/ elaboração - tom discriminação/ elaboração - ritmo/ harmonia


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EXEMPLOS DE TESTES DE AVALIAÇÃO NEUROPSICOLOGICA

D2 - Atenção Concentrada, de 9 a 52 anos;

Figuras Complexas de Rey, de 4 a 7 anos, aplicação individual (Obs. Uso permitido somente para pesquisa);

Teste Wisconsin de Classificação de Cartas, de 6 anos e meio a 18 anos, aplicação individual;

WAIS - III - Escala de Inteligência Wechsler para Adultos, de 16 a 89 anos, aplicação individual;

WISC-III - Escala de Inteligência Wechsler para Crianças, de 6 a 16 anos, aplicação individual;

Escala Maturidade Mental Colúmbia (CMMS) – de 3 anos e 6 meses a 9 anos e 11 meses, aplicação individual

Teste de Inteligência Geral não Verbal – TIG- NV - de 10 a 79 anos, aplicação individual ou coletiva;


Alterações nos Lobos frontais
Unidade para programar, regular e verificar atividade Capacidade de planejamento - Integridade Funcional (Luria)

Essencial para funções da inteligência / raciocínio: raciocínio de senso comum (capacidade para resolver problemas) raciocínio científico / lógico categorial - abstrato (formulação hipóteses, teste) Avalia-se a rapidez exatidão de cálculo Identifica-se ainda alterações de comportamento: introspeção hábitos auto cuidados higiene saúde (intrapessoal) comportamento psicossocial - humor, afetividade sexualidade (interpessoal) interespecífico - exploração ambiente (ciclos sazonais)

Legislação Brasileira
No Brasil, o título de Neuropsicólogo é exclusivo para psicólogos que tenham comprovada aptidão no tema a partir de verificações de testagem (como prova) ou cursos de especialização reconhecidos. A partir da resolução 013/2007, o Neuropsicólogo é aquele com competência para dar diagnóstico, acompanhamento, tratamento e realizar pesquisa da cognição, das emoções, da personalidade e do comportamento sob o enfoque da relação entre estes aspectos e o funcionamento cerebral. Utiliza-se para isso de conhecimentos teóricos angariados pelas neurociências e pela prática clínica, com metodologia estabelecida experimental ou clinicamente.

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